Bailarino celebra o carnaval e diz que escola o ajudou a se salvar do tráfico

Igor Maximiliano é santista e cresceu com a arte do Carnaval nas veias.

Igor Maximiliano venceu a realidade da periferia com auxílio do samba. Arquivo Pessoal O samba e o carnaval ajudaram o santista Igor Maximiliano, ex-rei da bateria da escola Unidos dos Morros, a vencer a dura realidade daqueles que vivem em zonas periféricas no Brasil.

Nascido e criado nos cortiços do Centro de Santos, no litoral de São Paulo, o bailarino cresceu em meio a arte, a dança e o gênero musical que contagia a todos.

Hoje, o rapaz tem 32 anos, mas a sua história com uma das maiores festas do país começou desde muito cedo.

"Comecei a me interessar por carnaval desde pequeno, porque a arte está na minha família.

A minha mãe era princesa da bateria da Unidos dos Morros nos anos 2000.

Então, eu cresci na comunidade e criei um amor, um laço com a escola", relata.

Vendo a mãe participar, Igor começou a se envolver também.

Ele iniciou como apoio e, depois, passou a desfilar em algumas alas, mas seu desejo mesmo era estar a frente da bateria, fato que ocorreu em 2006, quando tinha apenas 15 anos.

"Sempre foi o meu sonho estar ali.

Era como se a minha mãe tivesse entregado o legado dela para mim.

Eu fiquei super emocionado", conta.

Igor se esforçava cada dia mais para comparecer aos ensaios, que aconteciam às segundas, quartas e sextas-feira e ele não perdia um.

O bailarino relata que em uma época de sua vida, devido a situação simples na qual vivia, subia o morro a pé por não ter dinheiro para o ônibus.

Tudo para poder sambar.

Ele conta os dias para poder ensaiar.

"Eu era totalmente dedicado.

A gente tinha algumas apresentações em algumas coirmãs e, para mim, o samba e o carnaval eram a minha vida.

Na verdade, ainda é, só que de outro modo", declara.

Entre os estudos e as obrigações, ele sempre reservava um tempo para a escola de samba.

Igor sempre conseguiu conciliar os dois.

O samba e os estudos o ajudaram a não cair no tráfico, devido a zona periférica em que vivia.

"Eu já era de uma zona de risco, querendo ou não, ou eu ia para a escola, ou cairia no tráfico.

Eu sempre estudava para poder ir para a Unidos dos Morros.

Quando a gente nasce preto e pobre no país que a gente está, não têm muitas oportunidades.

Eu acho que quando a gente só estuda, não tem oportunidade de focar em outro estilo de vida.

É importante estudar, mas aí acaba ficando chato para quem não tem oportunidade, para quem nunca acha que vai chegar em algum lugar.

Eu acho que o carnaval, o samba em si, e a Unidos dos Morros me ajudaram nisso", declara Igor. O contato com o samba e a arte o fizeram participar e o ajudarem a viajar como dançarino em um navio de cruzeiro e até a se tornar professor na Dança dos Famosos, no Domingão do Faustão.

Igor Maximiliano já participou da Dança dos Famosos como professor. Reprodução/TV Globo Momento marcante No início, a escola estava bem abandonada e, por isso, ele sambava para pouca gente.

Depois de um tempo, as coisas começaram a evoluir.

A comunidade se fez mais presente e isso o deixou mais animado.

A escola de samba ganhou uma proporção maior.

Ele relembra um dos momentos mais marcantes na sua trajetória na Unidos, em 2010.

Segundo Igor, aquele ano foi especial porque a comunidade toda se juntou e a escola, que sempre foi cotada como pequena e criminalizada, havia ficado em 3º lugar.

"Conseguimos unir a comunidade.

Realmente todos os morros.

Vi a quadra lotada, a arquibancada cheia e todos torcendo pela Unidos dos Morros.

Ficamos em 3º, mas parecia que tínhamos sido campeões do carnaval, porque era o nosso sonho ficar entre as melhores.

Foi quando as pessoas observaram mais a Unidos dos Morros, respeitaram mais, foram mais cordiais com a escola", finaliza.

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